Os homens não são todos iguais, alguns também sabem amar.

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“Conheci uma vez uma Mulher que já tinha sido de todos os homens. Não porque procurasse neles a excitação e a loucura do prazer, ou fosse tão pecadora que pretendesse na carne satisfazer a fome dos seus desejos. O seu único motivo era a esperança. Que um, de entre eles, percebesse que ela era um Ser Humano, que tinha não somente um corpo mas também uma alma. Que procurava ao entregar-se às mãos, à cobiça, à vaidade e ao desprezo dos homens, que um, somente um, penetrasse de verdade no seu íntimo e sentisse que ela apenas procurava o respeito, o carinho e o AMOR.

Conheci esta Mulher, que era bela e por isso todos ficavam cegos com o reflexo de fogo da sua imagem. Conhecia-a e amei-a, não com as mãos e o sexo, mas tão-somente com o espírito. Não porque a não desejasse e quisesse possuir, mas porque ao fazê-lo iria entrar numa caverna fria, escura e vazia, onde apenas satisfaria a minha vontade animal.

E então escutei-a, sentados nus sobre a cama, a cada palavra dela sentindo as cicatrizes de uma pele ferida pelas unhas e pelos dentes da matilha dos homens.

Vi as lágrimas rasgarem o seu rosto e o silêncio quebrar-se em soluços e não tive dó, nem piedade, porque ter pena dela seria esquecer-me que existe a violência do mundo e tornar-me cúmplice da sua crueldade. Somente a apertei entre os meus braços e deixei que deitasse a cabeça no meu peito e adormecesse sobre o conforto do meu coração.

Ali fiquei, inerte como uma estátua humana, evitando mexer-me para não a acordar, protegendo e envolvendo com carinho a sua sensibilidade.

Quando ela acordou, ficou surpreendida e imaginou que ainda sonhava. Incrédula não compreendia como fora possível ficar ali, nua, tranquila e intocada. De uma forma delicada perguntou-me se eu era homossexual? Podia ter-lhe perguntado se preferia ter sido violada? Mas eu sabia que ela jamais fora respeitada por um único homem, por isso o meu comportamento lhe era tão absurdo e anormal.

Não lhe respondi de imediato. Ela que pensasse o que quisesse de mim. Vesti-me e à saída do quarto respondi-lhe finalmente; «os homens, os verdadeiros, não os procures na cama!».

Passados alguns anos, encontrei-a por acaso na rua de uma cidade que eu visitava. Menos bela, as formas do corpo deselegantes e avantajadas, mas com a alegria de um sorriso a pacificar-lhe o rosto.

Convidou-me para beber uma cerveja e contou-me, com um prazer extasiante, que casara e tinha dois filhos. Que a resposta que anos antes eu lhe tinha dado no quarto, fora a bofetada mais violenta e carinhosa que recebera da vida. Porque a chocara e fizera refletir, levando-a a deixar de procurar os homens e os afetos somente na cama. A ser paciente com o Amor. Que, finalmente, um dia encontrou, tão forte, dedicado e generoso.

Dei-lhe os parabéns e despedimo-nos sem trocarmos os nossos contatos. Afinal o nosso caso fazia parte do passado. Contudo, não resisti a voltar a cabeça e vê-la afastar-se com um andar determinado e feliz. E só então pensei que a ajudara com uma meia verdade, ou o auxílio de uma pequena mentira. É que os homens, os melhores, os verdadeiros e que respeitam e amam, também se entregam às mulheres no AMOR da cama.”

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