No banco de trás (..)

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”Encosto o carro numa avenida conhecida na orla da cidade. Pouco movimentada, fico imaginando para quantos casais ela já serviu. A proposta? Bem clara àquela altura: fazer amor ali mesmo, com as janelas abertas e o som da praia invadindo o carro, os poros, nós dois. Ela pula para o banco de trás com uma agilidade impressionante, daquelas de quem anseia pelo que vem. E de lá de trás, já tirando os sapatos, ela me olha e me puxa dizendo “vem logo, garoto!”.

Sorrindo, lá vou eu pensando apenas no que vai rolar para o lado dela.

De vez em quando, alguns carros que passam pela gente piscam o farol. Há até os que buzinam, descobrindo um casal de namorados por ali. Meu maior medo? A polícia passar. Nos levar em cana por algum atentado. Não estamos marcando o tempo, mas é melhor não ficar enrolando demais. Ação!, ela diz brincando comigo e puxando a minha cabeça pro meio das pernas dela. E começa a gemer mal a minha boca toca nela.

O rádio toca uma música gostosa do John Mayer. Trilha sonora perfeita. Sincronizo todos os movimentos com as batidas da música. A seguinte, um pouco mais rápida, faz ela soltar um gritinho de prazer. Quem nunca fez amor ouvindo aquela canção excitante no fundo? Parece combinado com a rádio. Orquestra de motel. E quando ela não se aguenta, me puxa pra cima dela.

O vai e vem de nós dois faz ranger de leve a suspensão e eu rio. Fico imaginando o carro balançando na escuridão da avenida. Olho para cara dela e a pego olhando para baixo, observando atentamente o que acontece entre as nossas pernas. Ela sua e eu vejo a gota descendo pelo colo, se espreguiçando na barriga e morrendo no encontro das peles. Eu lambo cada parte dela. Ela geme mais. Eu falo besteiras no pé do ouvido. Ela pede mais forte. O carro balança mais.

A gente goza junto.

O sussurro de “eu te amo” chega a mim junto com algumas ondas que quebram. Parece cinema ou qualquer roteiro bem escrito de novela, mas é a realidade de nós dois. Juro que chego a me indagar se aquilo também acontece com outros casais, se eles também vivem algo tão delicioso quanto o que nós temos. Por fim, chego a conclusão que todo mundo, pelo menos uma vez na Vida, deveria provar o sabor de amar e ser amado.

Eu sou o arrepio que sobe na pele dela. O espasmo que bambeia as pernas. Ela é a minha mão tremendo sem conseguir me vestir de novo. Os faróis que passam iluminando o interior deixam ver olhares apaixonados se encontrando no breu do carro ao som da brisa litorânea. Ela pula pro banco da frente. Eu vou atrás e ligo o carro. Ela pousa as mãos na minha coxa e encosta a cabeça no meu ombro. Fecho o vidro da janela e ligo o ar.

Fim da ação.”

 

Texto de  Gustavo Lacombe

Imagem: giphy.com

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