Há padrões para o amor?

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Há algo a se pensar sobre a seguinte questão: “o que ele ou ela têm a me oferecer?” ou “O que ela/ele tem que me fez apaixonar?”.

Amar uma pessoa significa muito mais do que certas coisinhas em que o nosso mundo materialista e com pensamentos estéticos fora dos padrões exige.

Certa vez uma amiga e eu conversávamos e ela estava mesmo muito triste. Sempre trocamos confidências sobre nossas histórias dramáticas e frustradas que vivemos nos relacionamentos. Ríamos quando não tínhamos de rir e chorávamos demasiadamente quando a ocasião nem exigia tanto. Nessa nossa conversa em especial, ela se confessou apaixonada por um homem que fugia aos seus padrões de “homem perfeito”. Durante anos ela viveu em um casamento sem amor, morta na rotina de ser mais uma “daminha” numa sociedade cheia de aparências. Com muito conforto, mal lembrava do que era ter uma vida por si mesma, lutar por si mesma e, de verdade, viver a chama ardente de um amor que já não vivia há anos com o marido. Após 10 anos lá vem uma separação e sua vida muda de ponta a cabeça num piscar de olhos. Dificuldade financeira, busca por emprego, concorrência no mercado de trabalho, solidão, carência, uma burrada aqui, outra ali e mais algumas burradas e burradas e mais burradas. Acho até que ela recebeu mesmo alguns troféus por fazer besteirinhas em novos relacionamentos devido ao seu temperamento impulsivo e intenso.

Enfim, numa dessas, ela conhece um homem e por ele se apaixona perdidamente e se relacionam um ano até o “pau quebrar”, ele ir embora, ela não ir com ele e sua vida continuar depois de muito choro, telefonema para a amiga (eu) e lágrimas e mais lágrimas e por fim, recomeço.

O que aconteceu?

Bom, ele reapareceu e seu coração bateu tão descompassadamente que o mundo parou diante daquele homem… feio e pobre. Feio e Pobre? Sim. Era tudo que ela conseguia me dizer no dia seguinte: “mas ele é feio e pobre, amiga!”

Após todo o complexo assunto sobre suas dúvidas ela fez a pergunta que milhares de pessoas fazem diariamente:

_ Será que isso é amor?

Ela estava revoltada consigo mesma porque descobriu que amava um homem diferente de tudo que quis na vida. Não tinha beleza física, mas, em compensação, era muito carinhoso, carismático e atencioso. Não tinha o ouro que pudesse dar a ela uma vida ao qual estava acostumada, mas tinha vontade de trabalhar. Logo ela se pegou pensando em coisas do tipo: “estou quase escrevendo um poema”, “eu quero que ele seja feliz”, “se ele me chamar pra morar com ele hoje eu iria”, “eu não me importo se ele é feio e pobre”.

_ Será que isso é amor?

Meus conselhos algumas vezes sensatos só disseram que, pensem comigo se eu não tenho razão: o que tem se ele for feio? No mundo não há somente pessoas bonitas e, cá pra nós, esse conceito de feio e bonito é bem relativo, não? A maior de todas as belezas é a interior (mesmo que isso pareça piegas, mas é sério!). Do que adiantaria ou quanto tempo duraria um cara lindo, mas desprovido de inteligência ou um cavalo de grosseiro com você no dia a dia? Do que adianta uma mulher perfeita de corpo, cabelo e rosto se não sabe abrir a boca pra dizer uma só palavra que preste? Resumindo: Beleza física acaba. O que resta é o que a pessoa é, de verdade, por dentro. Tudo certo até aí?

Mas e a falta de grana?

Tudo bem que conforto é bom, mas do que adianta castelos de mármore branco se vivo na solidão, sem carinho e sem afeto? Nada.

Ah, mas onde você quer chegar?

Claro que eu quero chegar em “de que é feito o amor?”!

Essa minha amiga descobriu com muito choro que amava de verdade pela primeira vez porque era diferente de tudo que ela já havia sentido na vida. Na verdade, sendo mais forte do que seus conceitos pessoais.

Sendo assim, digo que o amor também pode ser feito dessas surpresas, estranhas brincadeiras que a vida nos prega. Em nossa mente, um conceito de pessoa ideal, na realidade, o coração escolhe um tipo completamente diferente deixando imensamente claro que o que vem do amor independe de fatores como o tempo, grana, tipo físico e etc e mais etc. É algo que a gente só encontra no olho do outro e não nos bolsos!

Oh, a dama e o vagabundo? Que seja. Tenho certeza que a dela não é e nem será a única história em que se houve falar dessas incompatibilidades. Isso não existe quando o assunto é amor! Agora, se estiver falando de tesão, paixão, interesse ou qualquer outra merda dessa, aí tá, a conta bancária dele vai falar mais alto assim como seu par de olhos azuis.

O que aconteceu com os dois? Ainda não sei. Até o exato momento ela estava no aeroporto indo viajar atrás do homem que ela acreditava ser o amor da sua vida.

||Texto extraído do livro “Do quê é feito o Amor?” de Cris Souza Fontês.

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