“Dormiu” contigo, acordou e partiu.

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”Essa pessoa é você. Não quem te deixa dormindo na cama.
Transou sim e foi bom sim.
É preciso entender até que ponto vale argumentar que “ele só queria me comer e sumiu”, sendo que você, como alguém que prefere viver o presente, sabia que isso poderia acontecer. Não que ele só quis te comer, você quis viver isso também.
Ninguém te obrigou a nada e a vontade foi dos dois. E foi uma delícia para os dois.
Ambos acharam que deveria acontecer e aconteceu. Um flertou o outro aceitou, os dois aproveitaram. Você se deu sim ao trabalho de sair de casa sabendo que o fim poderia ser esse. Você se deu o trabalho de aceitar “um convite para ver um filme aqui em casa” sabendo que, definitivamente, nada seria assistido. Você quis, aceitou e aproveitou tudo isso.

E isso que te fez uma pessoa independente e segura.
Sua personalidade de viver o que te dá na telha e, desculpem o termo, ligar o foda-se para o que vão pensar de você. O que pensam de você quando está triste? Nessas horas poucos aparecem para ajudar, então no que diabos pode influenciar na sua vida pensarem algo de você quando está feliz?

Você acordou e foi embora. Às vezes com a mesma roupa da noite anterior, às vezes com uma camisa velha emprestada com o aviso de “depois te devolvo”. Mas que esse depois não ia acontecer.
Você ficou, transou, dormiu e foi embora. E não foi a primeira vez. Talvez não será a última também.

É preciso viver fazendo o que nos faz bem. E isso pode significar fazer o sexo com quem quiser ou fazer o esforço para alguém voltar. Se te faz bem é o que deve fazer.

As vidas inteiras de uma noite só não podem ser assim tão depreciadas. E essa depreciação existe por causa do modelo padrão sobre como a vida deve ser vivida. É preciso ser uma pessoa bem-sucedida, é preciso ter um bom salário e uma casa bacana, é preciso constituir uma família tradicional – com orientação sexual padrão – com filhos que você leva ao clube nos fins de semana, é preciso ter condições para se encaixar na aparência de ter uma vida de sucesso na sociedade. E isso é uma grande bosta! É preciso ser feliz e nada demais, é preciso que essa única noite que você transa loucamente seja gostosa para você.

E se, ao acordar, você quiser ir embora e nunca mais ver a cara do outro, que bom para você.
Se, ao acordar, a pessoa que dormiu com você levantar e for embora, que bom para a vida.

Estas não são palavras para te fazer viver o que nunca viveu, são palavras para te lembrar que bom mesmo é viver o que você gosta.

Se for para dormir junto e nem lembrar o nome depois, ok.
Se for para dormir junto e acordar separado, ok.
Você sabe que há dias que nem aguenta a si mesma e que a saída pode ser uma única noite com alguém que te faça bem. E que mal tem?

Este mundo não está totalmente pronto para pessoas que se sentem preparadas.
Ele ainda vai estranhar se você tiver uma camisinha na bolsa na hora H. Ele é quem “deveria” estar prevenido para essas coisas. Mas, sinceramente: “Deveria” é o caralho! Você sabe o quanto gosta disso e o quanto isso não tem exatamente uma hora para acontecer. Na verdade, a única coisa que acontece são as oportunidades que você abre antes de abrir outras coisas. E isso é algo que te faz sentir convencida dos seus desejos. Você sempre está preparada, segura de si e das vontades que quer saciar.

Transou sim e foi bom sim. Às vezes com alguma pessoa indicada por um amigo, às vezes com alguém que conheceu numa festa, às vezes com alguém que conheceu num aplicativo no celular. Que pague então suas contas quem te diz como ser feliz. Ou melhor, ninguém precisa te pagar nada, pois você luta pelos seus sonhos todos os dias.

Você arranhou e gritou como sempre gostou e queria, mas não precisa necessariamente querer ficar depois de acordar.”

 

Texto de Marcio Rodrigues

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